quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sobre a distância.

Esqueça o que te preocupa. Não lhe aborreça com a chuva de domingo ou o esmalte já sem cor. Não confie em ruas ou mapas. Ouça o que eu digo, confie no céu.
Independente da distância, será sempre o mesmo céu sob nossas cabeças. Quer seja aqui, quer seja lá. Minha querida, enquanto houver o céu a nos cobrir, haverá algo a nos ligar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

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Why do we fall, sir? So that we might learn to pick ourselves up.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sobre o conhecer.

A conheci.

Faz tempo que não me disparo contra o vento. Desde minha última desventura, decidi que por me manter trancado em abstinência pela simples frieza de ser. Não havia por quê procurar alguém pela noite, zigue-zagueando em calçadas, quando se sabe que o calor não durará mais que um trago de cigarro. Mais que um abraço sem zelo, ou um olhar turvo sem esperança. Das minhas feridas, entre as doces e profundas, nenhuma doera a ponto de me fazer parar de andar. Apenas me cansaram e assim fiquei.

Lhe conheci por um sorriso a distância. Não o provoquei e nem ao menos fora para mim. Sorriu por sorrir. Ainda me pergunto o motivo, as circunstâncias, se fora outro garoto ou se era inocência. Sorriu e não me notou. Sequer me viu. Ganhou minha atenção, minhas noites, minhas palavras e os calos de minha mão. Sorriu, e sem saber, sorriu para mim.

Depois de tanto tempo, talvez, senti algo a pulsar. Senti calor, um viés de como ser humano; segundos de vida. Centenas de pensamentos a desencadear não só numa, mas dezenas de idéias, vontades e incertezas. Por um momento, pensei em arriscar. Por um momento.

De acasos estorvados quero distância. Acho. Quero serenidade. Me acostumei com a solidão, mas importuna-me saber que exista quem abale minha paz e confunda-me, as vezes, os sentidos e a razão. Talvez quem sabe, só estou a delirar e fantasiar com a idéia de que posso simplesmente, deixar de ser.

Entre o incerto ou o sensato, prefiro ninguém senão mim mesmo.

Entre chá ou café, prefiro vossos cachos.


''In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.''

[Simon & Garfunkel]

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sobre o sentir.

- Quantas estrelas deve haver no céu ?
- Não sei, o que me importa ?
- Nada importa. Mas quantas será ?
- Hmmm. Quantas eu posso ver, penso eu.
- E as demais ?
- Não existem.
- Claro que existem.
- Não as vejo, não existem.
- Como sabe ?
- Que te importa ? Pra quê isso ?
- Nada importa. Por quê não existem ?
- Não vejo, não toco, não sinto. Não existe.
- Então tudo o que não vê não existe ? E o vento ?
- Tudo o que não sinto então.
- E o que é que você não sente então ?
- ... tudo.

domingo, 4 de outubro de 2009

Branco

Dormir já não durmo,
Sentir já não sinto,
Amar já não amo,
Sorrir já não sorrio,
Sonhar já não sonho,
Chorar já não choro,
Ouvir já não ouço,
Frio já não sinto,
Pensar já não penso,
Sofrer já não sofro,
Viver já não vivo.

sábado, 29 de agosto de 2009

J.

A medida que o cigarro carbonizava em cinzas e minha boca sentia o frio de ontem em meu estômago, fitava eu a mesa com aquele olhar que meus amigos brincavam ser de Clint Eastwood. Todas as fotos dela, antes nossas, agora fora da gaveta – onde permaneceram trancadas dentro de meu criado mudo amarelo creme – se encontravam sobre a mesa e me resgatavam aquilo que eu não me deixara sentir por quase um ano. Eu havia me protegido daquele sentimento, daquela situação. De toda aquela dor. Agora era tarde. Eu sentia saudade.
O ar gélido e poluído do inverno paulistano cantava meu nome pela janela. Aquela madrugada parecia não ter fim já que, em uma ou duas horas, pude recontar toda a nossa história, desenhar todos os teus sorrisos, sentir o cheiro de todos os teus perfumes. Já se passaram 10 meses e eu ainda pensava nela. Apaguei a ponta de cigarro que sobrara em meus dedos, pensei em acender outro, mas só me traria outras doses homeopáticas de sofrimento. Me recuso a pegar o telefone e te ligar. De um modo e de outro, você não iria atender.
Quem dera eu poder ser tão forte quanto meu olhar e tão frio quanto hoje deve ser o teu. Quisera eu poder te ver só mais uma vez. Apenas uma já me basta.
Go ahead. And make my day.

domingo, 16 de agosto de 2009

Favores

Corre.
Foge e me esquece.
Não deixe rastros,
Saia e não me deixe me despedir.
Mate minha esperança,
Pise em meu peito,
Seja mais dor do que já é.
Não fale comigo.
Me deixe te esquecer.
Por favor.